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HPV cresce entre jovens de 16 a 25 anos no Brasil

No mundo, aproximadamente 291 milhões de mulheres são portadoras do HPV e mais de 30% delas possuem os tipos 16 e 18 que causam câncer | Foto: Flickr

 

A pedido do Ministério da Saúde, o hospital Moinhos de Ventos de Porto Alegre realizou um estudo, em 2016, sobre o crescimento do HPV entre jovens de 16 a 25 anos e os dados obtidos são alarmantes. Mais da metade dos entrevistados possuíam algum tipo de HPV e dentre eles 37,5% são de alto risco, ou seja, podem evoluir para câncer de colo de útero, peniano, bucal ou anal.

 

Segundo o professor Luiz Ricardo Goulart Filho, coordenador do Instituto Nacional de Nanobiotecnologia e professor titular da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o HPV pode ser definido como “um vírus com múltiplos tipos, sendo de baixo e alto risco. Os de baixo risco são aqueles que causam verrugas e pintas na pele, e os de alto risco provocam os cânceres. O HPV é um vírus que atinge todas as mucosas, não apenas o colo uterino como geralmente se pensa, atinge a mucosa peniana, a anal, o esôfago e pode chegar até o pulmão”.

 Sua transmissão mais comum é durante as relações sexuais, embora não seja a única maneira . É necessário o contato direto com a pele ou mucosa infectada, que pode ser via oral, manual, genital ou anal. Além da transmissão durante o parto. 

No mundo, aproximadamente 291 milhões de mulheres são portadoras do HPV e mais de 30% delas possuem os tipos 16 e 18 que causam câncer. Anualmente,  ocorrem em média 500 mil casos de câncer de colo de útero em todo o mundo, sendo portanto, considerado raro, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).

 

Desde 2014, as vacinações gratuitas foram iniciadas nos postos de saúde brasileiros. No entanto, com um público muito restrito: meninas de 11 a 13 anos de idade. Atualmente, meninas de 9 a 14 anos podem ser vacinadas e os meninos de 11 a 14 anos também foram incluídos como público alvo.             

 

“Os homens, quando imunizados contra a doença, além de deixarem de transmitir o vírus HPV durante a relação sexual, estão protegidos contra o câncer de pênis, ânus, verrugas genitais, câncer bucal e de faringe. A inclusão de meninos no calendário permanente da vacina HPV é extremamente relevante. Tanto eles ficam protegidos, quanto as mulheres, porque o vírus é transmitido pela via sexual, podendo causar nas mulheres diversos cânceres, entre eles o mais recorrente que é o de colo de útero”, alertou a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) ao divulgar a nova Cartilha Nacional de Vacinação em Setembro deste ano.

 

Yasmin Gonçalves, estudante de 14 anos, explica que tomou a primeira dose da vacina com 12 anos e a segunda com 13. “ Acho que essa vacina é importante para evitar problemas futuros, como o câncer de colo do útero”, relata.

 

A vacina contra o HPV protege contra 4 tipos virais dos 200 existentes, todos nomeados por números, o 6 e 11 de baixo risco e 16 e 18 de alto risco que costumavam ser os mais frequentes e acometiam 20% da população. Mas, segundo Goulart, o quadro hoje é outro. “Em estudo recente no Maranhão, os tipos mais frequentes foram o 52 e 53 . O tipo 16 já não é o mais frequente, como esperado. São vírus de alto risco que não estão na vacina. Vai haver uma mudança epidemiológica no país, com certeza, mesmo com a vacina”, explica.

 

A SES-MG afirma que a vacina é eficiente e argumenta que ela foi amplamente aprovada por diversas organizações e sociedades. “Segura e também eficaz. Ela é licenciada em mais de 130 países e sua segurança é reforçada pelo Conselho Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas da Organização Mundial de Saúde (OMS). As Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm), Infectologia (SBI) e Pediatria (SBP), a Sociedade Latinoamericana de Infectologia Pediátrica (SLIPE) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) enfatizam a necessidade de imunizar a população. O objetivo é realizar uma adequada proteção contra as infecções causadas pelo vírus que são relacionadas aos cânceres do colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe”.

 

Diagnóstico

 

O exame mais comum para o diagnóstico de HPV é a colposcopia que avalia se há alguma lesão no útero da paciente.“O médico coloca algo como se fosse um corante, que na verdade é o ácido acético, na mucosa feminina, no colo uterino e faz o que chamamos de colposcopia, que é um método de verificar se há algum tipo de lesão, e ele sugere se existe HPV”, explica Goulart. Se o resultado for positivo, então passa-se a fazer o exame citológico, nele é coletado o material uterino e colocado numa lâmina para fazer uma análise preliminar, pois ele dará apenas um resultado sugestivo. “O único diagnóstico confirmatório é o que chamamos de diagnóstico molecular, pelo DNA. A presença do vírus é detectada pelo DNA”,  esclarece o professor. O procedimento realizado em homens é por meio de amostra de swab (escova) uretral.

Epidemia

 

Sua descrição foi feita pela primeira vez por Hipócrates (460-377 A.C.) e depois pela Era Romana como uma doença de verrugas de pele. A relação entre HPV e câncer de colo de útero só foi descoberta em 1983 pelo alemão Harald zur Hausen. Somente em  2014, quando as campanhas de vacinação começaram no Brasil,  as pessoas começaram a comentar e a se preocupar com o vírus do HPV. O professor Luiz Ricardo Goulart opina que foramas mudanças de costumes e hábitos em relação ao sexo que fizeram com que um vírus tão antigo causasse tantos problemas atualmente.

 

“Nós estamos vivendo uma epidemia. Especialmente no Norte e Nordeste. Embora o Sudeste esteja com uma incidência tão alta quanto essas regiões. Em média, a cada 10 mulheres, 6 estão infectadas, a mesma coisa acontece com os homens. Quanto mais o comportamento vai mudando nas pessoas, quanto maior for a promiscuidade, relacionamentos abertos, múltiplas relações sexuais, maior a incidência. O comportamento nos tempos mais antigos era muito menos promíscuo”, comenta o professor.

 

Situação do Brasil e Minas Gerais  

 

No ano passado, o INCA divulgou um levantamento sobre o índice de câncer no país, o documento “Estimativa | 2016 Incidência de Câncer no Brasil”, que revelou dados importantes. A Conexões traz um gráfico baseado em dados sobre a quantidade de casos de câncer de colo de útero em cada estado brasileiro.

 

Minas Gerais está em quarto lugar na escala de maior incidência de câncer de colo de útero no Brasil. A cada 100 mil pessoas, 1.030 possuem o câncer uterino. É o sétimo tipo de câncer mais comum no estado, ficando atrás dos cânceres de próstata, traquéia, estômago, cavidade oral, mama e cólon.

 

Em Uberlândia, no primeiro quadrimestre deste ano, foi realizada uma ação pela secretaria municipal de saúde. O Programa Saúde Escolar vacinou alunos da faixa etária de 9 a 14 anos contra HPV, Meningite C e atualizou as vacinas de Febre Amarela (FA) em atraso. Foram aproximadamente 10.850 crianças e adolescentes imunizados.

  

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